Amigo estudante, neste artigo, comentarei o tema da Redação do ENEM de 2025 e apresentarei um texto para que possa verificar a abordagem trilhada para o tema proposto.
O tema deste ano foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Na prova, havia seis textos motivadores.
Temos a ciência de que os textos motivadores são imprescindíveis para uma abordagem adequada do tema proposto.
É importante ressaltar que o tema deste ano traz uma ideia central, “envelhecimento na sociedade brasileira” e uma palavra-chave “Perspectivas“.
Neste ano, a instituição não trouxe palavras como “Caminhos“, “Desafios”, tão esperadas pelos estudantes, em virtude de elas aparecerem na maioria dos temas de Redação. Desta vez, a palavra-chave foi “Perspectivas“.
E qual seria a ideia de “Perspectivas“? Eu precisaria saber o significado dessa palavra, professor Marcelo Braga?
Vamos responder às suas indagações:
Em relação à primeira pergunta, o vocábulo Perspectiva (Perspectivas) significa uma visão que se estende ao longe (ideia futura). De forma objetiva, em relação ao tema, o que se deseja saber do candidato é exatamente se ele tem a noção, pelos fatos presentes, de como os brasileiros chegarão à velhice.
Para a segunda pergunta, a resposta é sim. É importante ter o conhecimento acerca do vocábulo para que a abordagem do tema se apresente de forma completa e, a partir daí, tenha condições de desenvolver o texto satisfatoriamente.
Salienta-se que os textos motivadores ampliaram as possibilidades de se abordar o tema sem receios de fuga. O candidato poderia apresentar as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira tanto de forma positiva quanto de forma negativa.
- De forma positiva, o candidato poderia abordar:
a) a melhora na qualidade de vida com o avanço da medicina e da tecnologia, o que permitiu uma maior
expectativa de vida em relação a décadas anteriores;
b) o fim do estereótipo de que pessoas com 60 anos ou mais não têm uma vida ativa e que são incapazes de
exercer determinadas atividades laborais;
c) a necessidade de aprimorar a sociedade para lidar com essa nova geração de idosos ativos. - De forma negativa, o candidato poderia abordar:
a) o impacto do envelhecimento nas contas públicas, especialmente no Instituto Nacional de Seguridade Social e também no Sistema Único de Saúde;
b) a permanência de estereótipos e estigmas direcionados a pessoas idosas;
c) a desigualdade social como responsável pela não qualidade de vida das pessoas idosas menos favorecidas.
Poderia citar aqui outros caminhos para o desenvolvimento do tema apresentado, mas creio que já seja suficiente.
TEXTO
Por Professor Marcelo Braga
O envelhecimento da população brasileira já não pode ser visto como uma possibilidade futura, mas como uma realidade com a qual devemos lidar de forma consciente e centrada, objetivando condições melhores as quais garantam a essa população, além de uma melhor qualidade de vida, um bem-estar social. Afirmar que o país evoluiu na criação de políticas públicas direcionadas ao idoso, como o Estatuto do Idoso, é fato, no entanto devem-se levar em consideração outros fatores os quais se apresentam como um empecilho à qualidade de vida dessas pessoas. Dentre eles, destacam-se a desigualdade social e o preconceito.
Vale salientar que, de acordo com o Estatuto do Idoso, três entes são responsáveis pela pessoa idosa: o Estado, a família e a sociedade. Quando se faz referência à desigualdade social, a qual tem impacto diretamente na forma como as pessoas envelhecem, a competência é do Estado. O Brasil hoje possui a sexta maior população de idosos do planeta e a perspectiva é que esse número dobre nas próximas décadas. Em vista disso, é importante entender que envelhecer, como bem definira o escritor paraibano Ariano Suassuna, é um processo natural, o problema reside no fato de se ter um envelhecimento saudável e com qualidade. Nesse aspecto, o país deixa muito a desejar, infelizmente não compreende a importância de atender às necessidades dessa população de forma igualitária e eficiente com o fortalecimento do sistema de saúde, com a promoção da equidade regional e com políticas intersetoriais capazes de mitigar as desigualdades ainda existentes.
Além de conviver com a desigualdade, essa população é vítima constante do preconceito nos mais diversos setores da sociedade. No mercado de trabalho, por exemplo, é vista como incapaz de realizar determinadas atividades, especialmente se houver a exigência de lidar com os recursos tecnológicos. Esse estereótipo, além de retrógrado, é incompatível com a realidade atual, já que a maioria das pessoas na faixa etária de 60 a 75 anos gozam de totais condições para exercer qualquer função laboral. Ainda assim, as práticas discriminatórias se intensificam também no meio familiar e social e se manifestam na desvalorização de suas contribuições, no isolamento social e na falta de reconhecimento de sua autonomia.
Portanto, a fim de que a geração atual envelheça com qualidade e bem-estar social, torna-se imprescindível que o Estado, a partir de agora, adote uma abordagem holística, integrada e intersetorial, envolvendo os mais diversos entes, como ministérios e secretarias estaduais e municipais. Isso poderá ser concretizado por meio de políticas públicas destinadas à saúde, à inclusão e à capacitação profissional para a geriatria. Compete à sociedade uma mudança de comportamento, rompendo com estereótipos e demonstrando respeito à pessoa idosa.
Até o nosso próximo artigo