Comentários sobre o tema da Redação do ENEM 2024

Amigo estudante, neste artigo, comentarei o tema da Redação do ENEM de 2024 e, ao término dos comentários, apresentarei um texto para que possa verificar a abordagem trilhada para o tema proposto.

O tema deste ano foi “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”.

Para uma boa compreensão de um tema, torna-se essencial a percepção de algumas palavras-chave as quais possibilitarão a condução do texto. Neste tema, além da ideia central “herança africana no Brasil”, há duas palavras importantíssimas “desafios” e “valorização”.

A ideia central do tema “herança africana no Brasil” explicita a importância do povo africano na formação da sociedade brasileira nos mais diversos aspectos (histórico, cultural e social). No que diz respeito às palavras-chave “desafios” e “valorização”, entende-se que os desafios estão relacionados, por exemplo, ao enfrentamento de questões históricas como o preconceito, a desigualdade social e a baixa representatividade; já a valorização diz respeito à necessidade de honrar a história, de combater a desigualdade e de celebrar as contribuições africanas, as quais moldaram a identidade brasileira.

A compreensão dos textos motivadores se apresenta como imprescindíveis, porquanto, amigo(a) vestibulando(a), oferecerão a você condições para selecionar adequadamente as informações relacionadas ao tema proposto.

O primeiro texto motivador traz o conceito do vocábulo “herança”, com o propósito de relacioná-lo à ideia temática, evitando que o leitor passa a ter uma interpretação distorcida do vocábulo em relação ao tema, já que o conceito de “herança” também está relacionado ao fato de se deixar bens (conjunto de bens e direitos, ativos ou passivos, que uma pessoa deixa ao morrer).

O segundo texto aborda a ideia de que não há uma valorização às culturas africanas e afro-brasileiras, porquanto são reduzidas a representações estereotipadas.

O terceiro texto destaca a importância de se saber e de se reconhecer a sua origem.

O quarto texto, por meio da experiência de uma professora, destaca a necessidade de haver uma maior representatividade negra na sociedade brasileira.

O quinto texto, por meio de um samba enredo, propõe uma revisão crítica da história do nosso país em relação à população negra ao destacar personagens e episódios frequentemente ignorados. Destaca ainda, além do sofrimento da população negra, vítima da violência, a resistência e a valorização de algumas personalidades como Dandara e  Dragão do Mar.

O sexto texto representa, por meio de uma imagem, o reconhecimento do herói negro Zumbi dos Palmares ao destacar um grupo de alunos contemplando o grafite de Zumbi no Rio de Janeiro.

Constata-se que, após a leitura dos textos motivadores, a abordagem adequada do tema se dá em relação ao fato de se buscar, por meio da valorização da herança africana no Brasil, ampliar a representatividade da pessoa negra na sociedade brasileira e reduzir, sobremaneira, as desigualdades e o preconceito ainda existentes.

 

TEXTO

                                                                                                                                      Por Professor Marcelo Braga

                  No mês de novembro, como símbolo de luta e de resistência da população negra, comemora-se o Dia da Consciência Negra. Embora essa data surja como reconhecimento à população afro-brasileira, constata-se que há ainda alguns desafios a serem enfrentados para que se efetive a valorização da herança africana no Brasil. Isso ocorre pela persistência da discriminação racial, advinda de um processo histórico, e da baixa representativa dessa população nos mais diversos setores da sociedade.

                  Com base nessa afirmação, verifica-se que, em virtude do preconceito estrutural, a população afro-brasileira, apesar de possuir direitos como qualquer outro cidadão, consoante determina a Constituição Federal, é constantemente marginalizada, vítima da desigualdade social, da violência, da pobreza e da invisibilidade. Embora as práticas de racismo em nosso país sejam visíveis, há quem defenda que o Brasil não é um país racista, por sermos um povo miscigenado. Ideia refutada pela antropóloga e filósofa Lélia Gonzalez, a qual define a democracia racial como um mito de dominação que impede a consciência objetiva do racismo. Essa definição explicita, na verdade, a existência de um processo de segregação e de desvalorização da população negra em nosso país.

                  Como consequência do preconceito, surge o racismo institucional, responsável pela baixa representatividade das pessoas negras nos mais diversos setores da sociedade.  Para se ter uma ideia, no âmbito da política, segundo dados do IBGE, o número de parlamentares, que se declaram negros, não atinge 25% dos deputados federais; na área de chefia, o número é irrisório, em torno de 0,4%. Isso comprova que  um  dos  desafios  a  ser  enfrentado  por  essa  população  é  a conquista por um espaço na sociedade, porquanto a sub-representatividade impede não só a criação de políticas públicas, direcionadas a essa população, como também amplia a invisibilidade de personalidades negras reconhecidas mundialmente, mas pouco lidos no Brasil, como é o caso de José Rufino dos Santos, historiador e escritor, e Lélia Gonzalez, ativista e intelectual brasileira.

                  Portanto, a fim de haver uma real efetividade da valorização da herança africana no Brasil, capaz de reduzir o preconceito existente e de quebrar estereótipos, torna-se essencial que as instituições de ensino ofereçam aos alunos um conhecimento mais aprofundado sobre os representantes negros, responsáveis pela formação cultural, histórica e social do país. Isso poderá ser concretizado por meio de adoção de livros que relatem a cultura africana. Com isso, não só se reduzirá o preconceito, como também haverá a promoção da representatividade social.

Até o nosso próximo artigo.

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